Você, que vive em espaços urbanos, já deve ter percebido que, de algum jeito, ao mesmo tempo em que estamos na cidade, muito dela também está em nós. E isso não é papo de maluco, não. É só parar e reparar: avenidas, parques, cemitérios e outros cantos de concreto formam nosso olhar e influenciam nossa experiência no espaço.
Pensando nisso, as Edições Sesc SP e a Cosac Naify criaram a coleção Ópera Urbana, uma série de livros que apresentam a cidade como você nunca viu. O apelo visual com a cara do jovem urbano traz as cores, os ritmos, a pulsação e a melodia de São Paulo. Porque São Paulo, aqui, é o mundo, é a cidade de qualquer um, porque todos estão nela, e assim se torna um ponto de partida universal para muitas outras cidades, semelhantes ou não.

Um passeio descomprometido pela avenida Paulista, um do mais importantes palcos da cidade de São Paulo: este é o convite de Carla Caffé. De uma ponta à outra, a autora procurou observar cada detalhe dos quase três quilômetros da avenida, fazendo um recorte arquitetônico e cultural. Desenhando nas calçadas, nas estações de metrô e nas principais construções, Carla retratou o esqueleto da avenida, de helipontos a galerias, prédios e edificações, como Masp, Parque Trianon, Fiesp, Sesc, Casa das Rosas, Conjunto Nacional e muitos outros. As ilustrações em nanquim são ao longo do livro intercaladas por fotografias antigas e ganham interferências de colagens que as aproximam do público juvenil. No libreto, fotos históricas, grandes avenidas pelo mundo, os grafites, entrevista com piloto, a reforma da avenida e outros serviços.

Um livro todo preto, repleto de esqueletos, figuras estranhas, rostos assustadores... Não é preciso ser gótico para se divertir com esta história do além. Meia-noite, sexta-feira 13, o pneu do carro fura em frente ao cemitério. Este é só o começo da aventura narrada por uma garota que foge de uma festa sem graça, sem imaginar o que aconteceria depois. Heloisa Prieto conduz o leitor por esta cidade habitada por seres aparentemente deste – mas na verdade de outro – mundo. As ilustrações de Elizabeth Tognato retratam vultos fantasmagóricos e bastante realistas. O libreto traz, além de informações sobre cemitérios importantes, diversas curiosidades sobre o tema, sugestões de filmes e bibliográficas, poemas, esculturas tumulares, túmulos de famosos, entre outras.

Em Montanha-russa, entrelaçam-se dois narradores: o pai que passou a adolescência na década de 1970, em plena ditadura militar, e o filho que vive seus treze anos nos dias de hoje. O parque de diversões é o cenário escolhido por Fernando Bonassi para este encontro de gerações, retratado por dinâmicas e bem-humoradas ilustrações de Jan Limpens. O libreto é uma viagem pela história dos parques, com fotos que mostram o aperfeiçoamento da montanha-russa e de outros brinquedos. Como nos almanaques, traz informações curiosas sobre o tema, além de alguns inventores e questões da Física que envolvem o funcionamento das atrações.

O Parque Ibirapuera é protagonista desta narração-descritiva que se passa no dia 25 de janeiro, feriado de aniversário da cidade de São Paulo. O narrador aproveita o dia para passear, enquanto germinam em sua cabeça ideias para um conto: a história do surfista que busca transpor os próprios limites, em meio à adrenalina de adentrar uma onda gigante. Por meio das ilustrações, os olhos do leitor se posicionam sobre os olhos do narrador, e o acompanham por um passeio em meio ao verde do parque. O libreto é uma espécie de guia, com informações sobre o Pavilhão da Bienal, o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte Contemporânea, a Oca, o Planetário, além de dados sobre a quantidade de visitantes por dia, as espécies de árvores, e serviços (opções de alimentação e aluguel de bicicletas).






















