Você, que vive em espaços urbanos, já deve ter percebido que, de algum jeito, ao mesmo tempo em que estamos na cidade, muito dela também está em nós. E isso não é papo de maluco, não. É só parar e reparar: avenidas, parques, cemitérios e outros cantos de concreto formam nosso olhar e influenciam nossa experiência no espaço.
Pensando nisso, as Edições Sesc SP e a Cosac Naify criaram a coleção Ópera Urbana, uma série de livros que apresentam a cidade como você nunca viu. O apelo visual com a cara do jovem urbano traz as cores, os ritmos, a pulsação e a melodia de São Paulo. Porque São Paulo, aqui, é o mundo, é a cidade de qualquer um, porque todos estão nela, e assim se torna um ponto de partida universal para muitas outras cidades, semelhantes ou não.

Em Montanha-russa, entrelaçam-se dois narradores: o pai que passou a adolescência na década de 1970, em plena ditadura militar, e o filho que vive seus treze anos nos dias de hoje. O parque de diversões é o cenário escolhido por Fernando Bonassi para este encontro de gerações, retratado por dinâmicas e bem-humoradas ilustrações de Jan Limpens. O libreto é uma viagem pela história dos parques, com fotos que mostram o aperfeiçoamento da montanha-russa e de outros brinquedos. Como nos almanaques, traz informações curiosas sobre o tema, além de alguns inventores e questões da Física que envolvem o funcionamento das atrações.

Um livro todo preto, repleto de esqueletos, figuras estranhas, rostos assustadores... Não é preciso ser gótico para se divertir com esta história do além. Meia-noite, sexta-feira 13, o pneu do carro fura em frente ao cemitério. Este é só o começo da aventura narrada por uma garota que foge de uma festa sem graça, sem imaginar o que aconteceria depois. Heloisa Prieto conduz o leitor por esta cidade habitada por seres aparentemente deste – mas na verdade de outro – mundo. As ilustrações de Elizabeth Tognato retratam vultos fantasmagóricos e bastante realistas. O libreto traz, além de informações sobre cemitérios importantes, diversas curiosidades sobre o tema, sugestões de filmes e bibliográficas, poemas, esculturas tumulares, túmulos de famosos, entre outras.

Um passeio descomprometido pela avenida Paulista, um do mais importantes palcos da cidade de São Paulo: este é o convite de Carla Caffé. De uma ponta à outra, a autora procurou observar cada detalhe dos quase três quilômetros da avenida, fazendo um recorte arquitetônico e cultural. Desenhando nas calçadas, nas estações de metrô e nas principais construções, Carla retratou o esqueleto da avenida, de helipontos a galerias, prédios e edificações, como Masp, Parque Trianon, Fiesp, Sesc, Casa das Rosas, Conjunto Nacional e muitos outros. As ilustrações em nanquim são ao longo do livro intercaladas por fotografias antigas e ganham interferências de colagens que as aproximam do público juvenil. No libreto, fotos históricas, grandes avenidas pelo mundo, os grafites, entrevista com piloto, a reforma da avenida e outros serviços.

O Parque Ibirapuera é protagonista desta narração-descritiva que se passa no dia 25 de janeiro, feriado de aniversário da cidade de São Paulo. O narrador aproveita o dia para passear, enquanto germinam em sua cabeça ideias para um conto: a história do surfista que busca transpor os próprios limites, em meio à adrenalina de adentrar uma onda gigante. Por meio das ilustrações, os olhos do leitor se posicionam sobre os olhos do narrador, e o acompanham por um passeio em meio ao verde do parque. O libreto é uma espécie de guia, com informações sobre o Pavilhão da Bienal, o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte Contemporânea, a Oca, o Planetário, além de dados sobre a quantidade de visitantes por dia, as espécies de árvores, e serviços (opções de alimentação e aluguel de bicicletas).






















